Acompanhar a evolução das roupas de casamento, principalmente os vestidos de noiva, nos ajuda a compreender como nossos padrões sociais mudaram com o decorrer do tempo.

Não é novidade que no mundo da moda o passado e o presente vivem um encontro constante. Um bom exemplo disso é aquela roupa super antiga que compõem perfeitamente com acessórios e looks atuais, no universo dos casamentos não poderia ser diferente, porém com um quê a mais muito especial.

Uma situação clássica é a tradicional herança do vestido de noiva passado de mãe para filha, uma tradição que com o decorrer dos anos tem sofrido algumas alterações. E como estamos em uma época de mudança, onde existe uma luta intensa para que os padrões normativos sejam desfeitos, convidamos a designer e fundadora do ateliê, Marcela Abdalla, para responder algumas questões sobre o assunto.

1- Então Marcela, como funciona o  trabalho de ressignificação no seu ateliê?

A ressignificação é o serviço final, depois do casamento xs noivas voltam com as peças e eu dou a opção de criar algo novo. Então podemos criar um novo traje para renovação de votos, ou algo para o dia a dia.

2- É possível na ressignificação manter a identidade da peça?

Claro, não precisa mudar a essência, só se tornar algo mais útil

3- Qual a maior dificuldade que você ainda enfrenta nesse mercado?

A ideia de pegar um vestido/traje e transformar em algo para o dia a dia não é algo que as pessoas amem, ou pelo menos ainda nao, nao consegui destravar esse tabu com ninguém ainda. O que fica mais fácil é a mudança de algumas coisas do traje para a renovação de votos, já que vai renovar os votos, porque não renovar os trajes, sem tirar sua essência?

4- Você tem sentido que essa procura pela ressignificação têm aumentado?

Acho que estão começando a se conformar com a ideia, mas confesso que o caminho ainda é muito longo, por anos o vestido de noiva era aquele vestido uma vez usado, e nunca mais usado, até que uma estilista louca chega e diz que podemos mudar essa forma de pensar (🙃), por enquanto nem todo mundo aceita, um dia quem sabe, nao perdi a esperança

Ainda é muito comum, as pessoas não se permitirem viver experiências novas devido a crenças e ideias antigas que são passada de geração a geração, mas com o passar do tempo isso tem diminuído. Iniciativas como a nossa, que trabalham com releitura dos trajes, influenciam de uma forma direta a sociedade a se desprender desses padrões, e curtir momentos especiais como o casamento em si, de um modo mais livre.